O Mestre dos Mestres

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M. Ueshiba - O Sensei - Grão Mestre
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Visita à Passo Fundo em 26/02

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Este Blog é dedicado às pessoas cuja motivação de vida seja o crescimento como ser humano. Admitindo-se que este passa pela opção de valorizar o SER em detrimento do TER e também pela difícil opção consciente que todos os grandes mestres pregam, que é a necessidade de priorizar em primeiro lugar o seu ser, pois este só poderá ser produtivo para os outros na medida em que estiver bem nos planos; físico, mental e espiritual.

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domingo, 5 de abril de 2009

O PRATICANTE SINCERO

Entre os grandes legados que o Aikido desenvolve nos seus praticantes “sinceros” estão a pro atividade e a autodeterminação, chamo de praticante sincero, àquele que pratica o Aikido com o Coração, com a cabeça e com o Corpo, quando há uma entrega total ao aprendizado. Num dia destes recebi uma mensagem pela internet, uma das poucas que recebemos com um cunho positivo e proveitoso, ela falava sobre a quantidade de pessoas que tem neste mundo que ficam só criticando e esperando que alguém faça o que ela acha que deve ser feito, o texto fala que: “Há muito, mas muito mais gente para comer o bolo do que gente para fazer o bolo. E às vezes aqueles que só comem o bolo ainda reclamam do gosto, mas continuam comendo e não ajudando. Sempre há mais gente para almoçar e menos gente para lavar a louça. Mais gente para assistir e reclamar do espetáculo, do que gente para montar a sala, carregar as cadeiras, varrer, limpar, organizar etc”. Porem o que tenho observado nestes 20 e poucos anos de ensino e prática do Aikido, é que esta proporção é justamente o inverso no Aikido, principalmente, entre os praticantes que chegam à graduação de 1º kyu em diante, posso dizer que, neste grupo,apenas uma pequena minoria se encaixaria naquela frase. Entre os novatos e os intermediários, acredito que a maioria seja como no texto citado, e isto vai aparecer muito fácil no movimento destas pessoas, na pratica delas dentro do Tatame, nas suas dificuldades de ter uma pronta resposta aos estímulos e a tomar decisões rápidas. Mas no grupo mais antigo, mais graduado, isto se inverte. Por isto tenho certeza, que tudo que alcançamos até hoje em termos de organização, foi pelo somatório dos esforços dos praticantes sinceros, e o numero destes felizmente vem crescendo em numero, nos últimos tempos.  Se hoje, este despertar de consciência tem o seu maior numero a partir das graduações altas, sonho em ver o dia em que isto venha a ocorrer, já a partir das graduações intermediarias 3º e 2º, vale frisar que não ignoro o fato de que algumas pessoas já chegam no Aikido, com uma conduta dentro destes valores.

Só para refrescar as idéias e reforçar a criação de um “memo” positivo, coloco mais um pedaço do texto que citei anteriormente.  “Se hoje há sombra e fruto é porque alguém plantou uma árvore e o ato de plantar implica um ato de fé, acreditar que vai, nascer, que vai crescer e que vai dar frutos. Alguém precisa cavar a terra, plantar, enfim dá trabalho. Hoje temos a sombra. Mas há sempre mais gente para sentar e usufruir da sombra e dos frutos do que gente para plantar. Precisamos de gente para plantar, gente para ajudar a fazer a bolo, gente para lavar a louça e para montar o espetáculo. Veja bem: SE VOCÊ QUER PARTICIPAR DOS RESULTADOS, ENTÃO AJUDE A PENSAR, AJUDE A MELHORAR AS COISAS. Como podemos melhorar o atendimento, como podemos diminuir os custos, como podemos aumentar a produtividade. Sentir-se parte é pensar, é fazer o que esta precisando ser feito, sem esperar que alguém venha lhe pedir, é comprometer-se.”

As pessoas que adotam esta atitude, e este comportamento, além de estarem contribuindo para uma família melhor, para uma rua melhor, para um bairro melhor, para uma cidade melhor, para um País melhor, com certeza estão contribuindo para um mundo melhor. E, sem duvida, ela e os seus estarão entre os beneficiados.

E você meu amigo, que tipo de pessoa quer ser? Aquela que ajuda, colabora, pensa e dá o melhor de si? Aquela que ajuda a fazer o bolo? Ou quer ser daquelas pessoas que se sentam à mesa e ficam esperando alguém lhe servir uma fatia?

R. Vargas

terça-feira, 31 de março de 2009

ORGANIZAÇÕES

Por que as organizações, de modo geral, são falhas e padecem de diversos problemas? Porque elas são gestadas e administradas por seres humanos que, por sua vez são cheios de imperfeições e  estas, se refletem nas organizações sejam elas quais forem desde mais simples a mais complexas. 
Estamos sempre buscando melhorar. Nascemos todos com esta programação natural de sempre buscar o melhor. Buscar aquilo que falta para estarmos mais perto do "PERFEITO". Como a nossa imperfeição é um aspecto natural desse nosso "ser buscador", pode até ser dito que, a nossa imperfeição é uma condição necessária para sermos este ser "em processo" de aperfeiçoamento. É o  nosso motor; a nossa motivação.
Se assim pensarmos portanto, a questão das imperfeições das organizações humanas passam a ser um "NÂO problema", e  podemos até ter algum grau de empatia com elas.
Talvez seja, por isto mesmo, que temos tanta antipatia e ao mesmo tempo tanta atração por organizações e instituições como: confrarias, clubes e até "organizações religiosas". Nós, de alguma forma nos espelhamos e nos identificamos com elas, além  do fato de  que, as organizações nos transmitem segurança. Em alguns aspectos representam a grande Mãe protetora, dando uma sensação de segurança mas ao mesmo tempo, por serem estas, entidades impessoais, facilmente nos permitimos sentimentos  negativos. Enfim, uma relação de Amor e Ódio.

R. Vargas

sexta-feira, 13 de março de 2009

AIKIDO INFANTIL

(Este texto já foi publicado em nosso site, no dia 26/02/2007, e em 14/05 2008 em nosso Blog em face do reinicio do ano letivo de 2009, estamos re-publicando, agora, no Blog.)
O AIKIDO INFANTIL
NO INSTITUTO SUL-BRASILEIRO DE AIKIDO.

A criança aprende naturalmente a brincar, jogar, caminhar ou nadar, pois todas as atividades psicomotoras são importantes para seu crescimento, seu desenvolvimento e sua formação. No passado podíamos brincar na rua, jogar bola no campinho do bairro, andar de bicicleta, subir em árvores, tomar banho em uma sanga ou um banhado perto de casa ou mesmo ir a uma pracinha pública próxima de casa com tranqüilidade. Na minha infância, pelo menos, no IAPI, essas atividades eram constantes, mesmo morando em uma cidade grande. Atualmente, no entanto, o acesso a estas fontes é restrito. Famílias urbanas, por exemplo, são forçadas a ter uma área de recreação interna para as crianças, por razões de segurança. E assim, estilos de vida e atividades recreativas para crianças tiveram mudanças significativas. Vieram os condomínios fechados, os clubes etc. As brincadeiras externas foram, em muitos casos, substituídas por videogames e computadores.
Nas últimas décadas as conveniências modernas têm reduzido nossos esforços e exercícios. Os filhos de famílias do meio rural, por exemplo, costumavam levantar-se antes da escola para fazer suas tarefas caseiras, que agora são cumpridas por máquinas. Há não muito tempo, as crianças andavam até a escola com seus vizinhos ou sozinhas, as minhas particularmente iam sozinhas. As crianças de hoje, devido ao aumento da criminalidade ou à distância, são levadas para a escola por ônibus escolares ou pelos pais. O Aikido, ou mesmo qualquer exercício regular, pode ajudar o praticante a alcançar um nível natural de bem-estar físico maior do que os nossos estilos de vida promovem. Certamente podemos classificar o Aikido como um conjunto de poderosas ferramentas a serviço da complementação de uma formação mais plena para a criança. O nosso Aikido é baseado em 7 princípios filosóficos de estratégia e 3 práticas filosóficas. Tais princípios e práticas filosóficos são exercitados através da prática corporal de 3 conjuntos de técnicas básicas.
Os 7 princípios filosóficos de estratégia diante de problemas agressões e conflitos são:  A) Antecipação: saber quem é o adversário e como é o terreno onde vai ser desenvolvido o conflito, identificar quais as posições mais vantajosas – A melhor maneira de resolver um conflito é encontrar uma solução antes que ele se manifeste. B) Não ser atingido (autopreservação) – Quando não existe agredido, não existe agressão. C) Não bloquear, não ir contra a energia do atacante – Se não houver reagente, não haverá fogo. D) Buscar uma posição vantajosa: deslocar-se para uma posição favoravel. Sempre procurar localizar-se em um ponto neutro, fora da linha de ataque ou na retaguarda do atacante, de forma a ser a sombra de suas costas. É impossível, para o atacante, atingir a sua sombra. E) Centramento e equilibrio: Manter o seu centramento, tanto físico como psicológico, buscando sempre que possível ser o centro do movimento. O centro é o poder e nele esta o equilibrio. F) Redicionar a energia adversa: oferecer outras opções, neutralizá-lo com movimentos circulares descendentes e imobilizá-lo, em decúbito ventral, sempre que possível. O contato do ventre com a terra nos acalma e tranqüiliza. G) Controle sem violência: nunca deixar o adversário, mesmo na finalização do movimento, em situação humilhante e de extrema dor, seja ela física ou psicológica – Um gatinho indefeso, quando encurralado, transforma-se em um leão.

As três práticas filosóficas são:
1- Disciplina; 2- Hierarquia (respeito aos mais velhos ou mais antigos); 3- Giri (gratidão).

O Aikido moderno procura, na medida do possível, manter os valores morais
e as estruturas organizacionais e hierárquicas do Japão antigo, buscando valorizar o que de melhor este período tem a oferecer, adequando tais práticas às nossas realidades.

Os 3 conjuntos de técnicas básicas são:

  • Ukemi, a arte de cair e levantar;
  • Tai Sabaki, a arte de caminhar e dos movimentos circulares de esquiva;
  • Waza(s), técnicas de respiração, projeção, torção de articulações e imobilizações.
CONCLUSÃO

Com o aprendizado de cair e levantar-se em segurança, o praticante aprende que A QUEDA É UMA OPORTUNIDADE E NÃO UMA DERROTA. É uma oportunidade de começar algo novo, seja através de um novo movimento, quando no Aikido, ou algo novo na vida, quando o praticante conseguir levar esta metáfora para o seu cotidiano. Por meio dos movimentos circulares do Aikido, a criança desenvolve equilíbrio, centramento e noção de espaço. Através dos exercícios de esquiva em geral, desenvolve o instinto de autopreservação. Atualmente percebemos que este instinto se encontra um pouco adormecido, pois as crianças são altamente tuteladas ( As arvores mais fortes e longevas, são as criadas expostas ao vento à chuva e a todas as intempéries; as criadas em estufas e bem protegidas são as mais fracas e sensíveis) . Conseqüentemente, ao atingir a idade adulta, com freqüência esses indivíduos encontram-se despreparados.
Com a prática da não-resistência, as crianças aprendem a buscar uma solução criativa, eliminando o conflito e passando a coordenar e controlar melhor os seus movimentos. Dessa forma, elas descobrem e ampliam suas capacidades e seus limites, tanto no aspecto físico quanto psicológico. Além disso, os praticantes também aprendem a respeitar o limite do outro, o seu colega de treino, neste caso. A prática ainda transmite à criança uma noção mais definida de espaço e de inserção, tanto no mundo físico como no mundo social.
O Aikido tem um programa próprio, que é adaptado à idade dos praticantes. A base dos treinos é comum a todos os grupos etários. Assim, os movimentos com risco de luxação ou que constituem esforço demasiado para as articulações, ainda em desenvolvimento nas crianças, são retirados do programa, mas, em compensação, na turma infantil são acrescentados exercícios, jogos e brincadeiras, específicos para crianças. Estes jogos de treinamento não somente constroem músculos, mas também desenvolvem flexibilidade e agilidade. Eles são também uma ótima brincadeira, quebrando a rotina das atividades regulares da aula.
O mais importante a se considerar nas brincadeiras das crianças é a segurança. Nenhum destes exercícios é difícil ou excessivo. Individualmente, cada criança pode decidir parar a qualquer momento. Os jogos e exercícios em si são selecionados com base principalmente na segurança dos praticantes, mas as crianças podem facilmente excedê-los, por não conhecerem seus próprios limites. Isto pode colocar ele e seu companheiro de treino (Uke) em risco. Dai a importância de que este treinamento seja sempre feito sob a supervisão de um instrutor. A função dele é observar se há hiperatividade ou comportamento hiperexcitado. Às vezes, retirar uma criança que esteja demasiadamente excitada e fazê-la apenas observar a aula por alguns minutos pode resolver o problema. Como muito do aprendizado de uma arte como o Aikido se realiza através de fazer ou não fazer algo, pedimos que os pais entrem em contato com os responsáveis quando não compreenderem alguma atitude de um instrutor ou do Sensei.
Muitos dos treinamentos individuais, como o canguru, o sapinho, o caranguejo, o coelho, a cobra etc., podem ser feitos como competições. Nas brincadeiras e nos jogos com competições procuramos acentuar a idéia e o sentimento de grupo em detrimento da individualidade, uma vez que o mundo adulto, como está conformado, já apresenta para a criança uma forte carga de supervalorização da individualidade. Desejamos com esta prática criar um MEME (ver Richard Dawkins) positivo de valorização do espírito de equipe, do trabalho em grupo e, conseqüentemente, o respeito aos outros seres.
Em alguns momentos o tratamento durante o treinamento pode parecer injusto ou duro para com o seu filho, mas esteja certo de que isto obedece a um propósito, queremos prepará-lo, como praticante de Aikido, para a vida. As exigências do mundo real são muitas, quanto mais as crianças estiverem preparadas em termos de atenção, superação das dificuldades, empatia (sentir as necessidades do próximo ou do grupo), respeito à hierarquia e espírito de cooperatividade (desenvolvendo a noção de que sozinhos não chegamos a nada, nem à nossa própria felicidade), mais preparadas elas estarão para viver de forma plena.
No entanto, em momento algum esquecemos que não é possível exigir de uma criança que ela se concentre por uma hora apenas na prática do Aikido. Portanto, apesar da importância de incluirmos alguns dos ensinamentos e algumas das práticas de nosso caminho nestas aulas, é preciso “quebrar o ritmo” com jogos e brincadeiras. Assim, com turmas de crianças seguimos uma dinâmica própria que pode ser traduzida pela seguinte frase: um movimento de Aikido, uma brincadeira; um movimento de Aikido, outra brincadeira. E é brincando que se apreende.

R. Vargas Fº
26/02/2007

R. Vargas