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quarta-feira, 2 de maio de 2007

A SINERGIA ENTRE ARTE MARCIAL E DANÇA DE SALÃO


Certa vez, ouvi, de um professor de salsa, a seguinte assertiva: "Assim como as artes marciais clássicas inspiram-se e buscam muitos elementos na briga de rua (street fight), nos movimentos da natureza e mesmo em outras outras artes marciais, as danças também buscam sua inspiração em elementos externos a elas, e cito como exemplo a salsa urbana e o samba, só para ficar nestes, que surgiram da música e das danças dos terreiros, dos africanos escravizados, elementos que mais significativamente representam uma cultura outside ou outdoor, isto é, "fora de casa, do lado de fora, na rua"."
A fim de exemplificar e substanciar isto, lembro que muitos dos passos da salsa atual foram inspirados nas danças do rockn'roll e do twist das décadas de 50 e 60, influência que aconteceu antes do bloqueio cultural e econômico que Cuba, o berço da salsa, sofreu. Tanto a salsa quanto o samba possuem características de adaptação e miscigenação. Um fator que talvez contribua para isto é o fato de ambos terem as mesmas raízes, a cultura dos povos africanos escravizados, que, por uma questão de sobrevivência, se tornaram mais flexíveis, adaptáveis e sincréticos em suas crenças e seus costumes, após séculos de escravidão. Já as danças de origem européias, como a valsa, por exemplo, ficaram velhas e perderam o viço.
Ao pensar sobre estas questões, percebi o quanto a evolução daquelas danças devem ao fato de ter esta flexibilidade, esta abertura para o novo.
Podemos aproveitar estes conhecimentos de uma forma sinérgica, ao constatarmos que as artes marciais também tiveram uma trajetória de constante transformação. Após seu surgimento na Índia, as artes marciais se deslocaram para o Oriente (China), juntamente com o Budismo, se espalharam por toda a Ásia. Até que, finalmente, entre as décadas de 40 e 50, desaguaram no Ocidente, juntamente com a medicina oriental (Acupuntura, Shiatsu e outras), principalmente graças a um diplomata francês, que deu início ao interesse por esta cultura no Ocidente.
Agora, em um mundo cada vez mais globalizado, onde as influências e os contatos interculturais são cada vez mais fortes e constantes, fica a delicada questão: até que ponto nós, que praticamos e representamos, dentro de nossa área de influência, uma arte marcial como o Aikido, que é impregnada de uma filosofia de amor universal e voltada para a paz, deveríamos acompanhar esta tendência de flexibilidade, já que o que universalizou e propiciou a difusão do Aikido foi justamente a sua solidez de disciplina e o respeito aos valores tradicionais, como o respeito aos mais velhos (ou mais antigos), a gratidão e a hierarquia? A complexidade desta questão fica bem marcante quando nos damos conta de que todas as questões filosóficas no Aikido não são uma meras ficções ou simples retóricas, elas estão impregnadas em todos os movimentos e em todas as técnicas corporais. Durante a prática, a cada movimento do corpo, a cada respiração, a cada atitude ou postura corporal, o praticante está "verbalizando" e internalizando importantes princípios, tais como: autopreservação, não-resistência, respeito aos próprios limites e aos dos outros seres, aceitação do próximo, ser centrado e equilibrado, entre muitos outros.
Assim, surge a pergunta: como modificar as técnicas sem correr o risco de arranhar e corromper a mensagem e o valor transformador da filosofia? Esta é a questão que fica, quem sabe para uma outra oportunidade. Como uma nota de humor, fico pensando no que diriam as pessoas que afirmam que o Aikido é uma dança.

Obrigado,

Vargas

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