O Mestre dos Mestres

O Mestre dos Mestres
M. Ueshiba - O Sensei - Grão Mestre
Google

Visita à Passo Fundo em 26/02

SEJA BEM VINDO

Este Blog é dedicado às pessoas cuja motivação de vida seja o crescimento como ser humano. Admitindo-se que este passa pela opção de valorizar o SER em detrimento do TER e também pela difícil opção consciente que todos os grandes mestres pregam, que é a necessidade de priorizar em primeiro lugar o seu ser, pois este só poderá ser produtivo para os outros na medida em que estiver bem nos planos; físico, mental e espiritual.

Para publicar comentário, em um dos Post, CLIK em comentários, abaixo do texto escolhido.
POSTAGENS
Logo abaixo você sempre encontrara os três ultimos textos publicados.
Para recuperar textos mais antigos, navegue até o final do Blog e clik no link "Postagens mais antigas"

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O SILENCIO COMO OPÇÃO


Não sei se estou escrevendo sobre o silêncio no sentido explícito ou de um modo figurado, mas acredito que, de alguma forma, o que serve para um, serve para todos e o que está no micro também se refere ao macro. Mas de qualquer forma, o que me leva a escrever este texto não é o mais importante, na verdade, o que importa é de que forma ele se encaixa na história de vida e nos valores e necessidades de quem o ler.
Escrever sobre o silêncio me faz lembrar de uma frase de Confúcio: "O silêncio é um amigo que jamais atraiçoa."O silêncio aqui pode se referir à ação ou, melhor dizendo, à ausência desta. Somos “inducados” ou “formatados”, que é uma expressão do momento, a sempre responder quando inquiridos, solicitados ou “provocados”. Isso se apoia também em um instinto básico reflexivo em que, para toda ação, há uma reação correspondente. Se o animal tem sede, ele bebe; se tem fome, come. Quanto mais primitivo for o ser vivo, mais ele será refém dos instintos básicos. Por outro lado, os seres humanos, teoricamente, são os que estão mais distantes desta mecânica, em função de um processo acelerado de desenvolvimento cultural e social, principalmente nos últimos 500 anos. Estamos distantes, mas não libertos totalmente dessa influência, pois a nossa bagagem genética ainda carrega os mecanismos primitivos que eram importantes naquele contexto, ou seja, importantes para a nossa sobrevivência como espécie. Mas o mundo mudou, o contexto hoje é outro, e diversas mudanças aconteceram em velocidades muitas vezes superiores às transformações genéticas. Hoje, não temos mais os grandes predadores, que eram tremendamente violentos e selvagens, porém, previsíveis: a violência deles era intrínseca; ao encontrar um homem, sabiam o que esperar e, portanto, aprendiam a agir. Por outro lado, o predador de hoje é o próprio homem, um homem doente, doente psicologica e socialmente. Quando com ele nos deparamos, geralmente não podemos fazer sobre ele nenhum prognóstico. Esse homem é uma bomba armada para explodir a qualquer momento, sem lógica e sem sentido, pois a sua violência não é fruto da sua natureza, é fruto do seu medo, da sua insegurança e da sua confusão mental.
Acredito que todos nós temos as condições biológicas de assumirmos por escolha a condição de um ser superior e responsável. Responsável por nós, em primeiro lugar, e, num segundo momento, por todos os seres. Tudo depende de escolhas e devemos, necessariamente, praticá-las. Para isto, devemos parar de agir baseados na opinião da maioria, como falou Mark Twain, “sempre que estivermos por muito tempo ao lado da maioria, devemos ficar preocupados e dar uma parada para avaliar melhor”. Atualmente, somos escravos do Marketing e da Mídia, somos todos “vaquinhas de presépio”, ou, se quisermos uma imagem mais realista, somos como moscas comendo lixo, porque nos deixamos levar pelos valores e necessidades que a midia do consumo nos aponta como a melhor ou a que vai nos fazer felizes. Isto acontece tanto em nível de consumo material, quanto de valores morais, filosóficos ou Políticos.
Esta “EDUCAÇÃO” de dentro para fora pode começar pelo exercício do silêncio. Entenda-se por silêncio não apenas a ausência de som, mas um silencio mais abrangente, um silencio da ação, uma inação.
Ter a opção da não-resposta automática é uma característica do ser superior. O automatismo instintivo pertence aos seres primitivos. Se alguém nos empurra, por que devemos empurrar de volta? Se tivermos uma sensação de vazio, por que devemos buscar preenchê-lo imediatamente?
Se alguém nos questiona sobre algo, por que devemos responder com rapidez?
Onde está registrada esta lei, de que temos de responder a todas as perguntas, a todos os estímulos e a toda e qualquer agressão? Temos de reaprender que tudo depende de nós, de nossas escolhas. Não existe apenas a reação ou a resposta. Também é nossa a opção pela não-ação, pelo silêncio. Não somos obrigados a nada, nem a responder perguntas e nem a atender ao Messenger, Skype ou Celular.
Não caia na armadilha da resposta imediata. Você tem direito ao silêncio, à não-ação como opção. Experimente o poder do silêncio.
A opção de não ligar a televisão, ou de ligar não porque todos estão ligando para ver um Big Brother, mas porque queremos informação e cultura. Deveríamos usar a tecnologia a nosso favor, como bem disse A. Einstein: "Por que os avanços científicos e tecnológicos dão tanto conforto, tornando nossas vidas mais fáceis, mas não nos tornam mais felizes? A resposta é simples: é porque ainda não aprendemos a usá-los com inteligência."
Essas questões não servem apenas para a nossa relação com o nosso mundo exterior, mas valem também para avaliar as nossas reações às nossas compulsões e prazeres. Não quero com isso dizer que não devemos dar vazão a esses sentimentos, mas devemos adotar uma condição superior, devemos ao menos saber de onde eles vieram e a que propósito servem, já que apenas deixar-se levar pelos anseios e sentidos não é uma condição de um verdadeiro ser humano, de um ser superior. Qualquer animal é capaz de tal comportamento. Como já disse alguém: O homem é o unico ser que come sem ter fome, bebe sem ter sede e, mais ainda, fala sem ter nada para dizer.
Pense até que ponto você está agindo por inércia social, se deixando levar pelo movimento de grandes grupos. Afinal, você não é apenas mais um boi no rebanho ou uma formiga no formigueiro, vamos aproveitar que o Carnaval já passou e tirar da cabeça esta necessidade de fazer parte de um bloco.
R. Vargas
(Revisão: André Castro)

2 comentários:

ravnos disse...

A psicanalista Simone Engbrecht tem uma frase que acredito estar muito de acordo com as idéias expostas pelo Sensei. Segundo ela, "governar as insatisfações sem recorrermos a um alívio através de uma compulsão, é o desafio proposto pela atualidade".
Não é de surpreender que a maioria das correntes religiosas ou filosóficas possuem um elemento crucial em comum: a busca por auto-conhecimento; ou nos dizeres do pórtico do templo de Delfos - Conheça a ti mesmo.
Essa pelo menos tem sido a tônica nas minhas buscas pessoais.
Obrigado Sensei, por, mais uma vez, compartilhar as palavras certas no momento exato.
Domoarigatogozaimashita!
Mariano Borghetti

Anônimo disse...

Sensei, muito obrigado pelo texto. Acredito muito na sinergia existente entre as pessoas que buscam pelas mesmas coisas. Falando por mim, digo que era exatamente isso que eu precisava ler hoje.