O Mestre dos Mestres

O Mestre dos Mestres
M. Ueshiba - O Sensei - Grão Mestre
Google

Visita à Passo Fundo em 26/02

SEJA BEM VINDO

Este Blog é dedicado às pessoas cuja motivação de vida seja o crescimento como ser humano. Admitindo-se que este passa pela opção de valorizar o SER em detrimento do TER e também pela difícil opção consciente que todos os grandes mestres pregam, que é a necessidade de priorizar em primeiro lugar o seu ser, pois este só poderá ser produtivo para os outros na medida em que estiver bem nos planos; físico, mental e espiritual.

Para publicar comentário, em um dos Post, CLIK em comentários, abaixo do texto escolhido.
POSTAGENS
Logo abaixo você sempre encontrara os três ultimos textos publicados.
Para recuperar textos mais antigos, navegue até o final do Blog e clik no link "Postagens mais antigas"

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

OS DOIS SÓIS

"Estou postando, hoje, um texto da minha amiga Zislaine (Upa), uma antiga praticante de Aikido e companheira de viajem, uma autêntica e incansável buscadora, que atualmente já deve ter mais de 40 anos de estrada e morando em Natal, Rio Grande do Norte. Segundo eu sei, este texto foi feito, na sua maior parte, por volta dos onze anos de idade, tive o cuidado de não editá-lo, nem atualizá-lo, para não correr o risco de perder o frescor e a identidade, com a ingenuidade e a pureza do modo de olhar o mundo, de uma criança."


Vou  com meu avô ver Rainha.
Ela está no campo. 
Rainha é uma égua branca, linda, cheia de vida.
Quando a vejo, meus olhos crescem de alegria, quase não dá vontade de dizer nada.
Ela é surpreendente.
Ela é  ágil, forte, educada.. Só atende aos adultos, principalmente a voz de meu avô.
Meu avô é grande.. Eu sou pequena. Quando vamos ao campo, ele me pega pela mão e lá vamos nós.
Olho tudo a minha volta.
O sereno ainda brilha na grama do campo, os quero-queros já estão lá encima, montando guarda.
Vejo o açude.
Rainha está pastando próximo ao açude. Mais  atrás do açude, tem uma cerca de arame farpado.
E mais campo que vai ate se encontrar com o céu, lá diante... vejo os matos de eucaliptos. sinto o perfume que vem das árvores... sinto o cheiro da terra, ainda úmida, do sereno da noite.
Meu avô caminha devagar pra que eu possa acompanhá-lo. O passo dele é lento, o meu é apressado. 
O sol já tá aquecendo a manhã e secando o pasto. As nuvens vão passando, espaçadas, magras, esgarçadas e vão  se  esticando cada vez mais, se separando e se recriando em mais nuvens magras.

O Céu é azul.. O céu é encantador. 
Estou feliz. É normal estar feliz quando vou passear no campo com meu avô. 
Gosto de ver esse encontro entre ele e a Rainha. Quando ele faz: op! op! op!  com sua voz grossa, ela deixa tudo que ta fazendo e vem ao seu encontro, balançando a cabeça pra cima e pra baixo enquanto caminha, espanando as costas com seu rabo espanador. 
Tenho medo, mas ele diz:
-não precisa ter medo. o vô tá aqui.. e recomenda, só vem ao campo com o vô ou com a vó, tá certo? E se volta  para cuidar da égua.
Eu não chegaria perto de um animal assim tão grande que em encanta e me assusta.. não, mesmo..

Mas nessa manha tem algo diferente no céu. tem dois sóis.
Tem o sol de todas as manhãs, amarelo, dourado ainda meio frio como ele é de manhã, e um outro, todo vermelho, escuro como se tivesse anoitecendo.
O sol da manha e o sol to entardecer estão juntos.
O sol do entardecer esta sobre o sol de todas as manhãs.nunca tinha visto isso assim, antes... ainda de mãos dadas com meu avô, olho pra ele  para ver o que ele me diz...
Ele não diz nada, continua caminhando na direção da égua  que está pastando calmamente, próxima a cerca de arame farpado, ela  come capim, arrepia o pescoço  enquanto abana o rabo  e bate com uma das patas dianteiras no chão, certamente para espantar as moscas... mesmo parada, pastando, ela é movimento por todo o corpo.
Volto a olhar o céu..  ele está do mesmo jeito,  azul.. com o sol amarelo, mas tem esse sol vermelho também. E isto hoje chama minha atenção. meu avô larga minha mão e eu fico ali, parada, olhando, olhando... 
Então sinto a voz de meu amigo invisível, o mesmo que me ensina a falar,  vindo de dentro de meu peito e ele diz: -Procura tua escola de arte marcial. Mas, nada sei sobre arte marcial,mas ao mesmo tempo em que não sei, sei sim..
Meu amigo, que mora em meu peito e fala com voz de sentimento, chama-se Anjo da Guarda! 
Só fiquei sabendo seu nome, algum tempo depois, minha tia me contou.
Ele me diz claramente: -Procure por esse sol, procure sua escola de arte marcial, você vai precisar dela, para voltar pra casa... eu respondo a ele  que não  sei aonde ir, pois não conheço lugar algum, a não  ser  a casa de meus avôs e o campo.. ele entende e responde; -Espere, a escola achará você, será uma espera longa, não se esqueça.
Meu amigo, Anjo da Guarda, se cala.
Olho pro meu avô. ele ta ali cuidando de Rainha, escovando seu pelo e jogando água encima dela. Rainha está tomando banho! Meu avô está em seu mundo e eu, ainda não  cheguei no  dele. Ainda estou mergulhada em meu próprio mundo, onde as coisas  falam e aparecem assim, desse jeito. Um sol vermelho de fim de tarde sobre um sol amarelo , ainda frio, no céu de uma manhã no campo de minha primeira infância..
Muitos anos depois re-descubro esse sol, é o Símbolo do Japão e a escola de arte marcial , embora idas e saídas, é o Aikido.

Mas isso dai já é outra estória.

Upa

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O AIKIDO E O FRESCOBOL

Li num dia destes, um texto que falava sobre a comparação dos relacionamentos com o Jogo de tênis e o Frescobol, acredito de autoria de Rubens Alves (na dúvida, confira no Google o texto na íntegra). Para ilustrar e ficar como uma entrada citarei um pequeno trecho: “Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua ‘cortada’, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.
Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois, o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…”.
Concordo em muitos aspectos, com a idéia do texto, mas vejo que ela serve não apenas para os relacionamentos amorosos e casamentos, como enfocado no texto, mas também para as relações em geral. No caso do Aikido, por exemplo, o ganha\ganha do Frescobol tem tudo a ver com a idéia do “todos ganham” que norteia essa Arte Marcial. Isso porque na prática do Aikido não existe nunca um vencido e nem um vencedor, existe apenas a boa prática de duas pessoas, e a busca por movimentos cada vez mais perfeitos e harmônicos, com o objetivo primeiro de aprender técnicas que sirvam como autodefesa e também, como conseqüência, a conquista de uma saúde melhor. No Aikido existe uma permanente troca: de energias, de movimentos, de conhecimentos, ou seja, um constante dar e receber.
Ao mesmo tempo, porém, esse texto me lembrou de algo, que tanto a vida como o Aikido me ensinaram: ter alguém criando certa dificuldade ou “lançando algumas bolas difíceis” (para seguir a analogia do referido texto) é algo positivo para o crescimento de qualquer pessoa. Como na diferença, segundo alguns, entre a mãe Ocidental e a mãe Oriental; a Ocidental, por um imperativo cultural, quer e precisa super proteger e facilitar o caminho de seus filhos, enquanto a Oriental, procura de alguma forma criar dificuldades que estimulem o crescimento dos seus filhos. Da mesma forma, a presença de um companheiro de treinamento, como a mãe Oriental, fazendo o papel de ‘agressor’ que nos ataca repetidamente, também nos propicia uma oportunidade de crescimento. Na prática do Aikido, num primeiro momento, você incorpora o papel de agressor (chamado de ‘Uke’ em Japonês) e oportuniza que o outro (chamado de “Nague”) possa praticar sua técnica de defesa. Depois os papéis se invertem. Assim, num momento você é o ‘servidor’ e no outro você é o ‘servido’. Para termos um bom treino esta prática deve ser plena de gentilezas, respeito ao outro e espírito de cooperação, permitindo desenvolver qualidades como, empatia, cooperação e solidariedade e, desta maneira, todos ganham. Ganham inclusive, indiretamente, pessoas que nem estão ali, por que todos os que se relacionam com estes dois verdadeiros praticantes de Aikido irão, em última instância, beneficiar-se disto.
O verdadeiro e experiente praticante de Aikido tem bem consciente na sua conduta, que o papel de servidor (Uke) deve ser o mais importante durante a prática, pois ele deve sempre exercer o papel de atacante com uma intenção sincera e verdadeira do início ao fim do movimento, pois sem isto, o seu companheiro de treino (Nague), não conseguirá praticar e aperfeiçoar seus movimentos de Aikido Por isto que durante a prática, ouvimos seguidamente as pessoas pedindo desculpas umas às outras, seja quando atrapalham o treino de alguém, seja por esbarrarmos, sem querer, em outras pessoas ou por não termos agarrado, durante um ataque, com firmeza e com a mesma intenção até o fim uma pegada, ou por não executarmos um ataque com sinceridade e energia. Um treino sem essa cortesia e sincera interação seria como conversar com alguém que nunca contrapõe nada ao que você diz, e concorda sempre com tudo, impedindo que haja um dialogo produtivo. O crescimento vem como conseqüência de dificuldades e algumas oposições. Por exemplo, você acha que um músculo vai crescer se você exercitá-lo com um peso zero, isto é, sem oposição? Evidentemente que não. Segundo os cientistas da Nasa, os Astronautas, após longo tempo sob o efeito da "Gravidade Zero", ficam com os músculos atrofiados. Isto serve também para todas as atividades mentais e inter-relacionais. Se nós não tivermos, vez por outra, um contraponto ou algum tipo de oposição, não cresceremos, não desenvolveremos fisicamente, mentalmente, profissionalmente e nem espiritualmente. Podemos dizer, portanto, que falta de oposição e de dificuldades, são potenciais destruidores e inibidores do crescimento de uma Pessoa. E, assim, podemos entender o quanto é importante exercer o papel de um "opositor estimulante, positivo e consciente", este é o caminho do meio, não ser omisso, mas também não ser um opositor negativo, que só quer levar vantagem e que busca de todas as formas a derrota do outro.


R. Vargas

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

UM AGOSTO PARA FICAR NA HISTÓRIA


Quero destacar o fato de este mês estar sendo muito importante para o Aikido no Rio Grande do Sul (RS). Três fatos merecem a nossa atenção: Nós, do Instituto Sul-Brasileiro de Aikido, fomos convidados para dois eventos, que muito nos honraram, e que tiveram, como idéia fundamental, o pensamento de União, Harmonia e Integração, sendo que concordamos integralmente com esta iniciativa. Um foi o convite para participar do Gashuku promovido pela Aikikai-RS, sob a orientação de Christian Sant’Anna Sensei, o outro foi o convite para participar do Seminário Promovido pelo Tensei Dojo, de Caxias do Sul, que tem a orientação de Bete Romanzini (Betezui), o qual teve como convidado de honra Maruyama Sensei. Participamos destes eventos com alegria e satisfação, mas não da forma como queríamos e como estes mereciam, em termos de numero de participantes. Infelizmente, os convites chegaram um pouco em cima da hora, em média com 30 dias de antecedência, quando já tínhamos uma extensa programação em agosto; aula temática e workshop no dia 09, exame geral de graduações, com realização de Koshukai e Yudanshakai, nos dias 30 e 31. Além disso, estávamos nos preparando para o Seminário de Seki Shihan no dia 07 de setembro em São Paulo. Toda essa programação canalizou um pouco do tempo e da disponibilidade financeira dos alunos vinculados ao Instituto e, por isso, os alunos não puderam atender em grande número aos convites da Aikikai-RS e do Tensei Dojo.
Justamente para evitar uma baixa freqüência é que estamos com seis meses de antecedência, iniciando a divulgação de nosso evento de fevereiro de 2009, o qual se realizará durante os dias de Carnaval, e no qual, os Aikidoistas do RS, poderão comemorar e marcar firme em sua lembrança, o aniversário dos vinte anos do Aikido no RS. Apesar de estarmos elaborando este projeto a mais de um ano, com diversas reuniões de planejamento, só agora ele esta começando a se tornar uma realidade. E para bem realizar este evento, estaremos convidando todos os praticantes e simpatizantes, de todas as organizações, indistintamente, no Brasil, Uruguai, Argentina e principalmente as organizações sediadas no RS, as quais estaremos convidando não apenas para participar, mas também para colaborar na elaboração e programação do evento. Tenho certeza que no futuro, com esta saudável aproximação entre os nossos grupos, teremos grande sucesso na promoção desse e de outros eventos do Aikido no Sul.
Espero que este ano seja lembrado, por nós, no futuro como o ano em que recomeçou o Aikido em nosso Estado e não poderemos deixar de lembrar que ele foi iniciado com o trabalho e a dedicação de Christian Sant’Anna e Bete Romanzini (Betezui), enfim, todos nós.
Como já foi dito em nosso artigo FORMADORES DE AÇÃO POSITIVA, é de pessoas assim que precisamos.

Um abraço carinhoso a todos,


R. Vargas